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GOVERNOS ESTADUAIS DIVIDIDOS ENTRE ISOLAMENTO VERTICAL E HORIZONTAL


foto: internet- g1 dfmobilidade

Saiba como os governadores reagiram à proposta do presidente Bolsonaro, que defendeu o regime de isolamento seletivo para o combate ao coronavírus 


Em vista de evitar uma aguda recessão econômica que, segundo ele, traria resultados mais catastróficos do que o próprio coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro, em pronunciamento em cadeia nacional na última terça (24), propôs que os estados fizessem uma transição do regime de quarentena absoluta (ou horizontal) para o regime de isolamento seletivo (ou vertical), resguardando quem esteja nos grupos de riscos, sobretudo os idosos, mas estimulando o restante da população a retomar suas atividades normais — salvaguardadas as restrições e recomendações estipuladas pelo Ministério da Saúde. 

Depois desse pronunciamento, porém, o país se dividiu entre os políticos que se alinhariam às diretrizes de Brasília e aqueles que seguiriam copiando o método dos países europeus, incentivados pela OMS. 

Confira agora um balanço da situação em todos os estados. Veja quem se mantém na quarentena absoluta e quem, na esteira de Bolsonaro, está flexibilizando as restrições: 


REGIÃO SUL


Paraná
Está marcado para hoje (27) um protesto em Curitiba contra o confinamento imposto pelo governador Ratinho Júnior (PSD). Até agora, permanece a recomendação de manter escolas e comércio dito não-essencial fechados.

Rio Grande do Sul
Governador Eduardo Leite (PSDB) disse que não pretende rever as medidas de quarentena até o final da próxima semana. Em contrapartida, vários prefeitos, respondendo às demandas do setor empresarial, começam a flexibilizar o isolamento. Em reunião, marcada para esta sexta, vai-se propor um decreto unificado. 

Santa Catarina
Depois de protestos em algumas cidades do estado, o mais comentado em Balneário Camboriú, o governador Moisés (PSL) decidiu voltar atrás e permitirá o retorno das atividades econômicas antes do prazo previsto. 



REGIÃO SUDESTE

São Paulo
João Doria (PSDB), grande antagonista de Bolsonaro quanto ao melhor tratamento da epidemia, mantém a quarentena, mas começa a assinalar para uma flexibilização na atividade industrial. São Paulo é o estado brasileiro mais afetado pelo Covid-19. 

Rio de Janeiro
Enquanto o governador Wilson Witzel (PSL), na linha de Doria, insiste na manutenção do isolamento horizontal, e disse que só seguirá as orientações da OMS, o prefeito da capital carioca, Marcelo Crivella (REP), mais alinhado a Bolsonaro, estuda flexibilizar o modelo de contenção, liberando a abertura do comércio. A tendência é que Witzel barre a proposta.

Minas Gerais
O secretário de Saúde mineiro, Carlos Eduardo Amaral, disse, em entrevista coletiva on-line nesta quinta-feira (27), que, apesar da pressão dos vários representantes setores da economia, ainda não será possível afrouxar as regras de confinamento social. Para ele, é necessário pelo menos um ou duas semanas de isolamento intenso a ver se a curva de novos casos se achata. Portanto, segue em vigência o decreto da quarentena geral.
Romeu Zema (sem partido), que, ao contrário de Doria, Witzel e Caiado, ainda não rompeu com Bolsonaro, se recusou a assinar a Carta dos Governadores que, em reunião organizada pelo governador de São Paulo, buscava firmar a postura de independência dos mandatários estaduais diante das diretrizes de Brasília. 

Espírito Santo
Enquanto o governador Renato Casagrande (PSB) e o prefeito de Vitória Luciano Rezende (CDN) insistem no confinamento, com restrições duras às atividades econômicas e estudantis, um grupo de empresários do setor de bares e restaurantes conseguiram uma liminar na Justiça estadual para retomar as atividades.

REGIÃO CENTRO-OESTE


Goiás
Tendo rompido publicamente com Bolsonaro, após o presidente defender a quarentena seletiva, salvaguardando os grupos de risco e permitindo a retomada das atividades econômicas, estudantis e religiosas, o governador Ronaldo Caiado insiste nas medidas de isolamento, marcado até 4 de abril. Na sua última declaração, Caiado disse que proporá o fim gradual do isolamento.
Ontem (26), ao chegar ao Palácio das Esmeraldas, o governador foi hostilizado por populares que pediam o fim imediato da quarentena.

Mato Grosso
O governador Mauro Mendes (DEM) acatou as diretrizes do governo federal e baixou um decreto adotando a quarentena vertical, mantendo no isolamento os grupos de risco, e liberando os demais grupos sociais às suas atividades normais. Indústria, comércio, transporte coletivo e igrejas voltam a funcionar.
Em contrapartida, o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), disse que, na capital, essas medidas não serão implementadas.

Mato Grosso do Sul
Seguindo as diretrizes do governo federal, Marquinhos Trad (PSD), prefeito de Campo Grande, capital do Estado, liberou o funcionamento de bares, restaurantes, lotéricas e igrejas, assinalando para uma breve retomada da normalidade. Indústria e construção civil mantém suas operações, respeitando orientações do Ministério da Saúde. 

REGIÃO NORTE

Rondônia
O governador Marcos Rocha (PSL), na linha do governo federal, assinou um decreto no último dia 25 que flexibiliza, em todo o estado, as medidas de isolamento. Indústria e serviços de hotelaria voltam a funcionar.

Roraima
Na manhã desta sexta-feira (27) manifestantes fizeram uma carreata em Boa Vista pedindo a reabertura do comércio. Assinalando uma transição para o fim da quarentena absoluta, o estado governado por Antonio Denarium (PSL), que se declara apoiador de Bolsonaro, anunciou, também nesta sexta, a liberação do comércio por delivery e drive thru, além de propor a retomada das atividades educacionais a distância. 

Acre
Em decreto emitido ontem (26), o governador acreano, Gladson Cameli (PP), estabeleceu medidas flexíveis para o enfrentamento da epidemia, permitindo o funcionamento da indústria, algumas atividades comerciais, rede hoteleira e uma lista de serviços considerados essenciais, como serviços psicológicos e odontológicos, restaures de rodovias, chaveiros, oficinas mecânicas e outros.

Amazonas
Entidades representantes e lojistas assinaram um documento e o enviaram ao governador Wilson Lima (PSC) requerendo a retomada as atividades comerciais, atividades estas vetadas pelo decreto estadual que regula as medidas de isolamento social durante a crise do coronavírus.
Em Manaus, populares fazem protestos pelo retorno das atividades.

Pará
Segue em quarentena rigorosa, imposta pelo governador Helder Barbalho (MDB). Na última semana, mais de 140 estabelecimentos que desobedeciam ao decreto estadual foram fechados e 6 pessoas foram detidas. Barbalho proibiu as atividades comerciais, estudantis, o transporte intermunicipal e restringiu o serviço dos órgãos estatais.

Amapá
O Amapá segue em quarentena absoluta. Waldez Góes (PDT), governador do estado, e Clécio Luis (ex-PT e PSOL, atualmente na REDE), prefeito de Macapá, seguem alinhados nas políticas de isolamento. Nesta quinta, governador Goés anunciou um pacote de ajuda econômica aos afetados pela quarentena. No último domingo, carros da Polícia Militar passaram pelas ruas de Macapá, capital do estado, pedindo que as pessoas continuem em casa.

Tocantins
Estado governado por Mauro Carlesse (DEM) está sob a vigência do decreto que determinou suspensão de aulas, fechamento do comércio e restrição do serviço público.
Entretanto, algumas prefeituras, como a de Palmas, Araguaína e Gurupi começam a rever a política de isolamento total e estão retomando suas atividades.

REGIÃO NORDESTE

Maranhão
O governador Flávio Dino (PCdoB) disse nesta quinta-feira (26) que só vai adotar o chamado isolamento vertical, medida proposta por Bolsonaro, caso haja um achatamento na curva de novos casos de Covid-19. “Vamos fazer o que os outros países têm feito”. O estado, portanto, segue em quarentena rigorosa até segunda ordem.

Piauí
O governador Wellington Dias (PT), alegando que a situação da epidemia do estado está “confortável”, já que só há 8 casos confirmados de infectados pelo vírus chinês, fará uma reunião na próxima segunda-feira (30), para discutir o decreto vigente que determinou a quarentena geral – incluindo comércio, atividades culturais, entidades educacionais, restrição no transporte, suspensão das atividades religiosas. O decreto tem validade até o dia 31, terça-feira.

Rio Grande do Norte
Liderado por Fátima Bezerra (PT), o Rio Grande do Norte segue em quarentena geral. O decreto vigente prevê o isolamento completo e o fechamento das escolas e comércios pelo menos até a primeira semana de abril.

Ceará
O Ceará, estado comandado pelo governador petista Camilo Santana, é o epicentro nordestino da epidemia do coronavírus. Somam-se ali 239 casos.
Após o pronunciamento de Bolsonaro, propondo o isolamento seletivo, Santana disse que seguirá orientação “dos especialistas” e que não atenderá às pressões de determinados setores, como o dos comerciantes e industriais. Segue, portanto, em regime de quarentena geral.

Paraíba
O governador João Azevedo (Cidadania), baixou, nesta quinta-feira (26), um novo decreto flexibilizando as regras de isolamento social adotadas para conter o avanço do coronavírus. Marcando uma transição da quarentena generalizada para o regime proposto por Bolsonaro, o isolamento vertical, o estado paraibano retomou algumas atividades, como o funcionamento das casas lotéricas, restaurantes em estradas e rodovias, call center (salvaguardando algumas restrições), oficinas e concessionárias etc. 

Pernambuco
Comandado por Paulo Câmara (PSB), o estado do Pernambuco, incluindo sua capital Recife, segue parado. As aulas estão suspensas – inclusive o consórcio das universidades da região acertou um prolongamento da suspensão das aulas por tempo indeterminado – o transporte está restrito, o comércio de portas fechadas, serviços públicos funcionando parcialmente e as atividades religiosas, em público, proibidas.

Sergipe
O governador Bivaldo Chagas (PSD) aumentou o prazo da quarentena absoluta no seu estado, determinando o isolamento indistinto até o dia 17 de abril. Na atualização do primeiro decreto, feita no último dia 24, Chagas também restringiu mais algumas atividades, como o serviço público dito não-essencial. Segue parado.

Alagoas
Em Alagoas, estado governador por Renan Filho (MDB), segue a quarentena generalizada. A Fecomércio/AL tem feito pressão pelo modelo de isolamento seletivo, na linha sugerida pelo presidente Bolsonaro.

Bahia
Governado por Rui Costa (PT), apesar do apelo de representantes do setor comercial, como o fez o presidente da Associação Comercial da Bahia, Mário Dantas, sugerindo o isolamento parcial e medidas de proteção aos idosos, o estado segue parado.

(bsm)

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