MILITARES ESTIVERAM À BEIRA DE GOLPE CONTRA BOLSONARO DIZ TOFFOLI

FOTO: INTERNET-DIVULGAÇÃO-DFMOBILIDADE

Em um contexto de desgaste institucional com a imagem pública do Supremo Tribunal Federal, o presidente do STF, Dias Toffoli afirmou, em entrevista à Veja, que teria havido, de fato, uma tentativa de golpe contra o Presidente, por parte de grupos políticos, empresariais e militares. Inclusive contando com a colaboração de um general próximo ao presidente, que Toffoli não quis revelar o nome.
De acordo com a entrevista, Toffoli afirma ter sido ele próprio o responsável pela pacificação de uma situação limite, entre os meses de abril e maio, quando se tentou retirar os poderes do presidente instituindo um parlamentarismo. O temor dos militares sobre revelações das denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro teriam sugerido que o presidente não teria condições de governar.
“Estávamos em uma situação de muita pressão, com uma insatisfação generalizada. Mas o pacto funcionou”, disse o presidente do STF.
Um dos generais próximos ao presidente chegou a consultar um ministro do Supremo para saber se estaria correta a sua interpretação da Constituição segundo a qual o Exército, em caso de necessidade, poderia lançar mão das tropas para garantir “a lei e a ordem”. Em outras palavras, o general queria saber se, na hipótese de uma convulsão, teria autonomia para usar os soldados independentemente de autorização presidencial.
O ministro conta a situação:
“Não é incomum que a autoridade de um presidente da República seja posta em xeque, testada logo no início do governo. E foi o que aconteceu. O presidente Bolsonaro também recorreu às ruas para reafirmar sua autoridade. Isso causou algum tipo de estranhamento. Tive várias conversas com parlamentares e meu foco foi sempre reforçar que o presidente foi legitimamente eleito, tem a respeitabilidade de quem recebeu 57 milhões de votos e seus projetos e programas precisam ser vistos com esse potencial. Foi uma mudança radical de perfil. Imagine o governo como um caminhão transportando melancias. Tem melancia que rola para a direita, outras para o lado esquerdo e algumas vão cair do caminhão. Aliás, já caíram. Isso acontece em todo início de governo.”
Após muitas reuniões com esses grupos, Toffoli teria conseguido estabelecer um acordo no qual se engavetava a proposta parlamentarista, assim como a CPI Lava-Toga, e algumas outras medidas que ocorreriam mais a frente, como a demissão do general Santos Cruz, e a diminuição das aparições polêmicas do vice-presidente Hamilton Mourão.
Longe de Brasília, a insatisfação também teria sido grande. Empresários do setor industrial teriam ficado incomodados com a paralisia da pauta econômica e discutiam a possibilidade de um impeachment do presidente, disse à Veja. Convencidos de que a situação caminhava em uma direção muito perigosa, costuraram um pacto que foi negociado em vários encontros e a situação teria terminado, enfim, pacificada.
A narrativa de Toffoli à Veja, surge em momento de desgaste do STF, e descrença generalizada com as instituições. Além disso, há ainda o interesses de enfraquecer o presidente em suas ações, seja de governo, seja de estabilização do seu próprio poder. Basta lembrar a campanha de Rodrigo Maia para fazer da Reforma da Previdência uma vitória do Congresso (quando não dele próprio, que almejaria concorrer à eleição), retirando o mérito do governo.
Mas a história contada pelo ministro ilustra um período sombrio que ainda não sabemos se terminou, já que a conspiração militaresca pode ter enfraquecido e dado lutar a outra, de um setor político que busca se adaptar às categorias inventadas pela imprensa (como ala técnica, ideológica etc) e se beneficiar disso.

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