MORO ENFRENTA BANCADA DA CORRUPÇÃO NA CÂMARA

FOTO:DIVULGAÇÃO/INTERNET
Deputado Glauber Chamou o ministro de Ladrão e o "pau quebrou"(VEJA o VIDEO)

Oposição considerou respostas do ex-juiz evasivas e criticou a atuação dele na Lava Jato; deputados pró-Moro defenderam decisões do atual ministro



O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, voltou a afirmar que não foi parcial nem infringiu nenhuma lei em sua atuação como juiz na primeira instância na Operação Lava Jato. Ele falou nesta terça-feira (2) por sete horas e meia em audiência conjunta de três comissões da Câmara dos Deputados: de Constituição e Justiça e de Cidadania; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Direitos Humanos e Minorias. Moro prestou esclarecimentos no Senado em 19 de junho.
“Como juiz na Lava Jato sempre agi com correção, com base na lei, com base na imparcialidade, decidindo os pedidos apresentados, sem qualquer desvio. As minhas decisões já foram avaliadas nas instâncias superiores”, disse Moro. Segundo o ministro, a maioria (39%) de suas decisões foram mantidas pelo Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4) ou mesmo tornadas mais rígidas (25%).


Os deputados queriam esclarecimentos sobre o conteúdo revelado pelo site de notícias The Intercept Brasil, que trouxe mensagens supostamente trocadas entre Moro, então juiz federal, e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol. Além de mensagens entre outros procuradores membros da força-tarefa.


Moro afirmou que não dirige nenhuma investigação da Polícia Federal sobre eventual ataque hacker aos celulares dele e de procuradores da Lava Jato e que apenas acompanha o caso como vítima. “Minha opinião é que alguém com muitos recursos está por trás das invasões. O que existe é uma tentativa criminosa de invalidar condenações e evitar novas investigações”, declarou.


Segundo o ministro, não é possível recordar-se das mensagens divulgadas porque ele deletou o aplicativo Telegram em 2017. “Não reconheço, mais uma vez, a autenticidade de um material que não tenho. O que se tem presente é que não tem nada ali de conteúdo ilícito [nas mensagens]”, disse Moro.
Montanha e rato
Por outro lado, o deputado José Medeiros (Pode-MT), vice-líder do governo, afirmou que a narrativa inicial da divulgação das mensagens era a de que “o mundo iria cair”, mas isso, na visão dele, acabou não acontecendo. “A grande verdade é que a montanha pariu um rato”, apontou. Para Medeiros, a divulgação tem objetivos claros: a libertação do ex-presidente Lula; a desconstrução da Lava Jato; e dar uma grande derrota ao governo Bolsonaro.

FOTO:CÃMARA DOS DEPUTADOS

Conforme a deputada Bia Kicis (PSL-DF), muitos parlamentares têm a “cara de pau” de agredir Moro com o intuito de questionar as decisões tomadas por ele, em especial no processo contra o ex-presidente Lula. Para Kicis, o fundador do The Intercept, Glenn Greenwald, que teria informações bombásticas a revelar, terminou a semana passada desmoralizado ao justificar erros de edição nas mensagens divulgadas.
Para o líder do Novo, deputado Marcel Van Hatten (RS), a energia que alguns deputados dispensam “para atacar o combate à corrupção e defender bandido é de envergonhar o Parlamento”. Segundo ele, a maioria da população apoia a atuação de Moro como teria sido comprovado pelas manifestações em diferentes cidades do País no domingo (30).
Mártir de imprensa
Moro justificou não ter processado o The Intercept pela divulgação das mensagens por defender a liberdade de imprensa. “Acho que havia interesse de pedido de busca e apreensão para que a pessoa pudesse posar como ‘mártir da imprensa’”, argumentou. De acordo com ele, todas as reportagens até agora são “um balão vazio no meio de nada”. Para ele, é um "escândalo fake afundando". 


O ministro afirmou ainda não ter receio de que novas mensagens sejam divulgadas, pois está tranquilo com sua atuação como juiz. “Pode ser que saia alguma coisa. Se saírem as mensagens sem adulteração, só vão revelar compromisso com a lei, imparcialidade e ética”, disse Moro.
Confusão
A reunião foi encerrada após desentendimentos entre parlamentares. A fala desrespeitosa do deputado Glauber Braga (Psol-RJ) de que Moro seria reconhecido pela história como "um juiz que corrompeu, como um juiz ladrão" gerou reações de deputados favoráveis ao atual ministro, que pediram a retirada do termo "ladrão" das notas taquigráficas.

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