CICLOVIAS DO DF DEIXARAM DE RECEBER R$ 74 MILHÕES NA GESTÃO DE ROLLEMBERG


Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com
A crise de abastecimento dos combustíveis fez o brasiliense pensar em tirar a bicicleta da garagem. Alguns ousaram. Mas a falta de um sistema de ciclovias eficiente e seguro, especialmente na ligação entre as regiões administrativas, matou a ideia.
Pudera. O governo Rollemberg (PSB) segurou no caixa R$ 74 milhões em investimentos para construção de ciclovias de longa distância entre cidades do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER/DF), entre 2015 e 2018.
“Houve pouco avanço nesses quatro anos de governo, ainda mais com as expectativas que todos tinham”, criticou o coordenador geral da organização não governamental Rodas da Paz, Bruno Leite.
“Este governo assinou uma carta com a gente e o movimento ligado à mobilidade urbana. O compromisso era de inverter prioridades do transporte urbano de Brasília, para sairmos do modelo individual motorizado para o modelo coletivo e ativo. Sentimos a falta de resultados. A grande obra do governo hoje é o Trevo de Triagem Norte. É uma obra para carro”.
Pouca conectividade
A ausência de pistas apropriadas entre as cidades tira o pedal da rotina dos brasilienses, na avaliação de Leite. “Existe uma malha relativamente grande de ciclovias e ciclofaixas, principalmente no Plano Piloto e em Águas Claras”, diz. “O grande problema é a falta de conectividade entre as cidades.” Isso leva temeridade ao ciclista.
Hoje o governo promete tirar do papel ciclovias na Estrada Parque Taguatinga (EPTG) e no Trevo de Triagem Norte. Os membros da Rodas da Paz, contudo, têm duvidas se esses projetos serão funcionais, seguros e se as obras serão entregues neste ano.
Ativista do pedal e responsável pelo blog Brasília para Pessoas e pelo portal Mobilize Brasil, Uirá Felipe Lourenço também aponta a falta de conectividade como o calcanhar-de-aquiles dos ciclistas. As falhas não se limitam às rodovias: atingem também as cidades. Falta de iluminação e má sinalização são outros problemas. Pelo Código de Trânsito, as bicicletas deveriam ter preferência nos cruzamentos, mas no DF, carros e demais transportes motorizados imperam.
“Faltam bicicletários“ para os ciclistas guardarem as bicicletas”, critica Uirá. “A própria Rodoviária está sem um. Tinha, mas foi desativado. Entrar e sair de bicicleta da Rodoviária é um desafio porque faltam trechos de acesso”. A desvalorização das “magrelas” está presente na filosofia dos órgãos de trânsito. Uirá sugere há anos a criação de um curso para as pessoas superarem o medo de pedalar. Até agora, recebeu como resposta do governo apenas silêncio.
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